Baixa umidade

Calor recorde obriga brasiliense a tomar cuidados especiais com a saúde
16/10/2017

Por Otávio Augusto

A condição do tempo tende a se complicar durante a semana, pois segue sem previsão de chuva pelo menos até sexta-feira




A combinação de temperatura alta e umidade baixa colocou a capital federal em estado de alerta. O forte calor e a secura devem se prolongar por pelo menos mais uma semana, segundo previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Para piorar a sensação de fornalha, a chance de chuva é pequena. Para os próximos dias, o clima deve permanecer quente, seco, com ventos fracos e temperaturas máximas na casa dos 35°C. Ontem, o DF registrou, pelo terceiro dia consecutivo, recorde de temperatura: 37,3ºC, considerada a mais alta da história da cidade.

O clima tem castigado o brasiliense. Fazia dois anos que o DF não registrava temperaturas semelhantes às que ocorreram na última semana. O recorde de calor, segundo gráficos históricos do Inmet, ocorreu em 18 de outubro de 2015, quando os termômetros marcaram 36,4ºC. Além disso, a queda da umidade — que caiu a 11% — fez com que a Defesa Civil estendesse o estado de emergência.

Com as temperaturas nas alturas, o brasiliense procurou refúgios, como o Parque da Cidade e a Água Mineral. As duchas e os bebedouros protagonizaram uma disputa entre crianças e adultos. A secretária Roseane Fonseca, 33 anos, levou a filha, Emily Vitória, 11, para andar de patins. Elas saíram de Ceilândia logo após o almoço e aproveitaram para tomar banho e beber água de coco. “Não há como ficar em casa. A agonia do calor é insuportável”, reclama a mãe. A menina completa: “Eu fico muito incomodada, penso que estou passando mal”.

Uma das cenas que mais chamaram a atenção foi o banho de Ruffles. O shih-tzu se refrescou com uma chuveirada de água fria. A cena despertou curiosidade e risos de quem passou pelo Estacionamento 12. A dona do animal, a secretária executiva Karina Régia, 26, disse que o cão estava ofegante. “Essa foi a alternativa para aliviá-lo”, brincou a moradora da Cidade Ocidental (GO).

O calor, no entanto, não aqueceu as vendas dos ambulantes que vendem água e picolés. O sorveteiro José Ferreira, 67, encheu o carrinho, mas a procura ficou aquém do estoque no Parque da Cidade e na Torre de TV. “As pessoas trazem as coisas de casa, sempre estão com marmitas e merendas. Acredito que a crise financeira obrigou as famílias a mudarem de hábito”, afirmou.


Saúde

As crianças e os idosos são os que mais sofrem com a baixa umidade e o calorão, pois os pequenos estão com o organismo em formação, enquanto que os mais velhos são sensíveis a mudanças bruscas de temperatura (veja Cuidados). “É preciso ingerir mais líquidos, fazer refeições leves, como saladas, e usar roupas frescas. O mais importante é evitar exposição solar por longos períodos”, alerta o médico Eduardo Espíndola. A Secretaria de Saúde não sabe dizer se aumentou a procura nas emergências em razão do tempo.

Contudo, ontem, a movimentação era grande na emergência pediátrica do Hospital Materno Infantil (HmiB), na Asa Sul. Cerca de 70 pessoas aguardavam atendimento. Algumas crianças revelavam sintomas de desidratação. Era o caso de Emily Vitória, de 1 ano e 10 meses. A mãe dela, a repositora Kelly Jonas de Souza, 37, conta que a menina está amuada desde sexta-feira. “À tarde, ela ficar pior. Por isso, dou bastante água e não a deixo brincar no sol. Mesmo com esses cuidados, não houve melhora”, disse, enquanto aguardava atendimento.

Previsão

Para aqueles que gostam de clima mais ameno, as notícias não são boas. “Há uma massa de ar quente e seco instalada no DF. A tendência é que esse fenômeno eleve ainda mais as temperaturas e a secura”, destacou a meteorologista Maria das Dores de Azevedo. A temperatura recorde foi registrada na estação meteorológica de Águas Emendadas, distante 55km do Plano Piloto. Na área central, a temperatura chegou a 35ºC, e a umidade despencou a 13%. O Gama marcou o menor índice do domingo: 11%.

Apesar de os números impactarem, é difícil dizer que a máxima de ontem é a maior da história. “Em alguns locais, não tínhamos termômetros havia alguns anos, mas, realmente, está muito quente”, concluiu Maria das Dores. Na última sexta-feira, o DF registrou 34,1ºC. No sábado, a temperatura chegou a 34,8ºC. Há 12 dias sem chuva — a mais recente foi em 4 de outubro —, o clima deve manter a tendência durante a semana. A expectativa é de que uma frente fria avance sobre as regiões Sul e Sudeste e se aproxime da capital federal no fim da semana.

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE
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