Tecnologia e Educação

Adolescentes de Curitiba vencem concurso de invenções e se preparam para conhecer a Nasa
01/11/2017

Por Samuel Nunes

Jovens de bairro da periferia desenvolveram sistema que ajuda a alertar os Bombeiros sobre focos de incêndio em áreas afastadas.




Três adolescentes de Curitiba estão se preparando para conhecer a Agência Aeroespacial Norte-Americana (Nasa). A visita a um dos principais centros de pesquisas do planeta foi possível depois que eles venceram um concurso de invenções, conhecido como hackaton, promovido pela instituição na cidade, em abril deste ano.
Marcos Mateus Garrido de Mello, Raul Guedes Carlesse, ambos de 14, e Jennifer Gabriela da Silva Jetka, 13 cresceram na Vila Barigui, uma área considerada de alto risco social. Os três, porém, superaram as dificuldades que a vida em uma área violenta pode proporcionar e decidiram ter um futuro diferente.

O sonho dos jovens começou a se tornar realidade aos poucos. Em meados de 2016, eles entraram no projeto We Are All Smart (Nós Todos Somos Inteligentes, na tradução do inglês). A iniciativa leva a tecnologia a alunos da rede pública de ensino, oferecendo aulas gratuitas de programação de software e hardware.

Eles contam que sempre foram apaixonados por tecnologia. Quando souberam da possibilidade de ter as aulas, foram logo atrás. "Eu fiquei sabendo do projeto, fiquei interessada, porque era sobre tecnologia e eu sempre quis aprender. Fiz a inscrição, era por chegada, fui a segunda pessoa a chegar", lembra Jennifer.

Eles contam que sempre foram apaixonados por tecnologia. Quando souberam da possibilidade de ter as aulas, foram logo atrás. "Eu fiquei sabendo do projeto, fiquei interessada, porque era sobre tecnologia e eu sempre quis aprender. Fiz a inscrição, era por chegada, fui a segunda pessoa a chegar", lembra Jennifer.

Ideias inovadoras

Em abril, com a indicação dos professores do projeto, os jovens decidiram se inscrever no hackaton e participaram de equipes formadas por startups. Marcos e Raul participaram de um time, e Jenniffer de outro.

O grupo dos dois rapazes venceu o primeiro prêmio, com a invenção de um dispositivo que ajuda a notificar os Bombeiros de áreas isoladas, sobre focos de incêndios ambientais. Já o time de Jennifer recebeu uma menção honrosa pelo projeto que usa a realidade virtual para ajudar na reconstrução de locais destruídos por guerras ou desastres naturais. "Foi até um choque, porque a gente achou que não ia ganhar", conta Raul.

Após a premiação, Jennifer passou a integrar o grupo em que Marcos e Raul estavam. Agora, eles estão aprimorando o projeto, que utiliza informações de satélites da Nasa, que detectam os focos de incêndio e enviam as coordenadas geográficas por sinais de rádio FM, para o Corpo de Bombeiros.

"A Nasa tem um satélite que manda os recados por e-mail. A gente criou um API, que transforma esse e-mail em ondas sonoras. Qualquer anúncio de emergência, as rádios são obrigadas a transmitir. O nosso rádio vai detectar, decodificar e ver as coordenadas do incêndio", explica Marcos.

Os três nunca viajaram para fora do país. Eles sequer têm passaporte. Isso, porém, não os impede de fazer planos para a viagem aos Estados Unidos. A Nasa é quem deve bancar os custos com a ida. "A expectativa é bem grande, a nossa ideia é ir lá, entender como é o procedimento inteiro", diz Raul.

Marcos conta que a viagem será a realização de um sonho de infância, construído com os filmes e desenhos que assistia. O garoto mora com a avó e diz que ela chegou até a ser contrária à ida, mas agora já está mais acostumada com a ideia.

"Desde pequeno sempre quis ir para a Nasa. Sempre falaram na televisão, sobre foguetes, satélites", afirma o garoto.

Já a menina que nunca imaginava que conseguiria construir um carrinho-robô, agora já pensa em entrar nos foguetes da Nasa.

"Eu espero que seja muito legal a viagem, quero entrar em todos os foguetes", diz Jenniffer.

Voluntariado
O projeto We Are All Smart ainda é pequeno. Segundo a diretora de recursos do Instituto We Are All Smart, Arlete Scheleider, a iniciativa atende a 60 alunos por ano e conta com a ajuda de dois professores contratados, além de voluntários que se prontificam a ajudar as crianças e adolescentes que se matriculam.
As aulas são ministradas em uma escola profissionalizante, às sextas-feiras, no contraturno escolar.

Arlete conta que não há seleção. "Eles não são selecionados por prova, apenas por ordem de chegada", diz. Segundo ela, a abordagem é feita nas escolas em que eles estudam. O grupo leva protótipos produzidos com a ajuda da tecnologia e espera as adesões dos jovens à ideia de aprender mais sobre o assunto. "Eles não se enxergam como produtores de tecnologia", conta Arlete.



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