Telescópio Hubble faz registro sem precedentes

Telescópio Hubble faz registro sem precedentes de uma das galáxias mais antigas do Universo
18/01/2018

O telescópio Hubble fez um registro com detalhes sem precedentes de uma das galáxias mais antigas do Universo.



Objetos espaciais deste tipo costumam aparecer apenas como um ponto vermelho nas imagens captadas por telescópios, mas, neste caso, a imagem foi ampliada e esticada por um fenômeno natural conhecido como lente gravitacional.

Essa distorção ocorre quando a luz contorna um corpo de grande massa que fica no caminho entre um objeto, no caso esta galáxia surgida apenas 500 milhões de anos após o Big Bang, e seu observador, o Hubble.

Na astronomia, a distância e a idade de um corpo celeste estão interligados. Por causa do tempo que a luz leva para percorrer um longo caminho, esta galáxia antiga está sendo observada como existia há mais de 13 bilhões de anos. Os detalhes deste registro permitirão aos cientistas testar teorias sobre a evolução de galáxias.

"É uma questão de sorte uma galáxia ser afetada por uma lente gravitacional de uma forma ideal para vermos tantos detalhes. É uma bela descoberta", disse à BBC News o principal autor do estudo, Brett Salmon, do Instituto de Ciência e Telescópio Espacial em Baltimore, nos Estados Unidos.

"Ao analisar os efeitos desse fenômeno sobre a imagem da galáxia, podemos determinar seu tamanho e forma."

Lentes naturais
Neste caso, a lente gravitacional foi gerada por um aglomerado de galáxias, o que não só impulsionou a luz da galáxia antiga como a fez formar um arco. "A lente funciona como o fundo de uma garrafa de vinho, distorcendo a imagem ao fundo", disse Salmon.

Esta galáxia antiga é relativamente pequena: tem cerca de um centésimo da massa da Via Láctea. Isso pode ser algo típico de galáxias surgidas pouco depois do Big Bang.

Uma questão-chave para os astrônomos que estudam a evolução de galáxias é a origem dos "discos", um componente da estrutura de muitas delas formado pela distribuição de estrelas, gases e poeira em rotação. "Não sabemos como e quando surgiram esses discos nas primeiras galáxias do Universo", explica Salmon.

Redemoinho galático
Os resultados deste trabalho foram apresentados no 231º encontro da Sociedade de Astronomia Americana, em Washington D.C.. Outro estudo no mesmo evento apontou evidências de uma possível rotação em galáxias que existiam 800 milhões de anos após o Big Bang. Isso pode ser um sinal do início da formação dos discos.

A cientista Renske Smit, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, e seus colegas usaram o telescópio Alma, no Chile, para mostrar que o gás nestas galáxias recém-surgidas se movimenta como um redemoinho, de forma semelhante ao que ocorre na Via Láctea e em outras galáxias que surgiram mais tarde.

"Esperávamos que galáxias mais novas tivessem uma dinâmica "bagunçada", por causa da confusão gerada pelas explosões de estrelas mais jovens, mas essas mini-galáxias demonstram ser capazes de manter alguma ordem", disse Smit. "Apesar de pequenas, elas estão crescendo rapidamente e se tornando galáxias "adultas" como aquela em que vivemos hoje."

Salmon explica que essa investigação é importante, porque, "uma vez que se forma um disco em uma galáxia, isso dá início ao restante de sua evolução". "Então, entender quando esta fase turbulenta começa a se estabilizar é algo chave."

Simulações computacionais sugerem que os discos podem estar presentes em galáxias existentes até 600 milhões de anos depois do Big Bang. A galáxia antiga descoberta pelo Hubble pode ser uma das primeiras a ter um disco.

Ela está quase no limite da capacidade de detecção do Hubble, mas o telescópio espacial James Webb, que será posto em órbita pela Nasa em 2019, poderá obter mais detalhes. "Esta galáxia é um objeto de estudo interessante, e, com o Webb, teremos uma oportunidade única de entender a população estelar nos primórdios do Universo", disse Salmon.
 Outras Matérias
22/01/2018
Sustentabilidade
Cientistas sugerem meios para reciclar matérias-primas de lixo eletrônico

16/01/2018
Ciência
Ununênio, o novo elemento químico que cientistas japoneses tentam criar

10/01/2018
Dias mais longos segundo a astronomia
Ao contrário do que parece, a astronomia garante que nossos dias têm ficado mais longos

08/01/2018
Tecnologia
O país que usa o calor da internet para aquecer casas

12/12/2017
Tecnologia
Por que atualizar computador é mais importante até que antivírus para evitar ciberataques

07/12/2017
A menina que indica livros
"A menina que indica livros" ganha prêmio por vídeos no YouTube e ações de incentivo à leitura

05/12/2017
Da idade à tecnologia
Entenda como diferentes fatores explicam a sensação de que o tempo está voando

27/11/2017
Tecnologia e Educação
Aplicativo para catalogar espécies é grande vencedor do Concurso Desafios Sustentáveis

24/11/2017
Rede Social Chinesa
A rede social chinesa que já vale mais do que o Facebook - e por que você não a conhece

22/11/2017
A inovadora máquina que absorve CO2
Máquina absorve CO2 da atmosfera e o transforma em um gás com valor econômico

Horário de funcionamento:
De segunda à sexta das 8:00hs as 12:00hs e das 14:00hs as 18:00hs
Unidade Brasília
(61) 3245-7881