Dois professores do DF estão entre os finalistas do Prêmio Professores do Brasil, concorrendo com projetos que mudaram o ambiente para além da sala de aula

Educação que transforma
Finalistas do Prêmio Professores do Brasil, docentes do Distrito Federal vão representar o Centro-Oeste na premiação nacional. Eles estão entre os 30 finalistas, com projetos que mudaram a vida de alunos por meio da poesia e da tecnologia



Dois professores do Distrito Federal vão representar a região Centro-Oeste na etapa nacional do Prêmio Professores do Brasil, iniciativa que chega à 10ª edição este ano. Raquel Lima e Erizaldo Cavalcante venceram a etapa regional e estão entre os cinco melhores de suas categorias. Em dezembro, eles se unem a outros 28 professores na expectativa de terem premiados os esforços em projetos que transformaram a vida dos alunos ao seu redor.

Raquel concorre na categoria do 4º e 5º anos do ensino fundamental. Professora do Centro de Ensino Fundamental Gesner Teixeira, no Gama, ela voltou à escola onde estudou com o objetivo de fazer a diferença. Ao se deparar com a poesia como um dos conteúdos a serem trabalhados no ano letivo, não teve dúvida e decidiu preparar os estudantes para a Olimpíada de Língua Portuguesa.

No entanto, ao contar a ideia à turma e propor escritas que tivessem como foco a região onde vivem, a professora teve uma surpresa: “Descobri que os alunos tinham muito preconceito com o lugar onde vivem, não viam nada de bom”. Raquel relata que os estudantes ironizaram a proposta. “Não tem como fazer poesia do lugar onde a gente vive, porque não tem nada de bom”, argumentaram alguns. “Essa frase mexeu muito comigo”, lembra a professora.

A docente começou a observar também outras questões que tornavam a tarefa ainda mais árdua, como o preconceito dos estudantes que moram no DF em relação aos que vêm de Goiás. “A imagem era a pior possível. Muitos sofriam bullying calados, porque também não gostam do lugar onde vivem.”

Diante desses desafios, a professora, que também sofreu com opressões semelhantes quando era criança, não titubeou. “Parei de trabalhar rima e poesia para falar de bullying. Expliquei que, independentemente do lugar onde vive, você pode ser feliz. Tem coisas boas que acontecem lá e devemos valorizar o lugar onde nós moramos”, detalha. Raquel propôs rodas de conversa, pediu a participação dos familiares e promoveu discussões sobre cidadania e respeito ao próximo, tudo em paralelo com o ensino dos recursos de linguagem da poesia.

O projeto culminou em um sarau literário para apresentar todos os textos produzidos, premiando os três melhores colocados. A vencedora foi Nathally Braga, 11 anos, moradora do Lago Azul, no Novo Gama. O envolvimento da aluna motivou Raquel a inscrevê-la na Olimpíada de Português. Nathally chegou à semifinal e viajou para Salvador. “Foi maravilhoso. Isso mexeu com a família, que estava desestruturada. Os pais, antes separados, reataram os laços e se casaram outra vez”, emociona-se a professora.

Mesmo diante de momentos difíceis, que quase a fizeram desistir da empreitada, a docente persistiu. “Quando veio o resultado de que estava entre os 30 professores, fiquei em êxtase. Ainda não caiu a ficha”, conta, entusiasmada.

Luz, câmera… Educação!


O projeto do professor Erizaldo Cavalcante tem o objetivo de aliar tecnologia e produção audiovisual dos alunos na disciplina de cinema no Centro de Ensino Fundamental 1 do Cruzeiro. Com Zaldo, como é conhecido entre os estudantes, não tem essa de vilanizar a tecnologia. Doutor em física e com mais de 30 anos de experiência em sala de aula, ele percebeu, por meio da própria pesquisa, que os celulares podem ser uma oportunidade para o aprendizado. “Um colégio sisudo e tenso não apresenta atrativo algum, nem para o professor, nem para o aluno”, observa.

O estímulo ao uso da ferramenta de vídeo no celular ajuda no diálogo e fomenta a criatividade dos estudantes. “Minha preocupação é que os alunos conheçam a linguagem e façam dela bom uso, que não usem para o estímulo à violência e tenham a consciência de passar uma mensagem informativa para outros jovens que estejam assistindo”, resume.

Incentivado por uma ex-aluna, Zaldo resolveu colocar no papel o projeto que tem três anos de existência e conta com cerca de 50 filmes produzidos. “Tinha tudo documentado e pude provar. Ficou um trabalho bem fundamentado. Tínhamos a esperança de estar entre os melhores. Então, veio a chancela de que o nosso trabalho representaria o Centro-Oeste como melhor trabalho do 6º ao 9º anos.”

O CEF 1 do Cruzeiro parte para o seu terceiro festival de audiovisual, o Curta seu Curta. As produções envolvem todas as etapas, desde roteiro técnico e montagem de elenco até a edição. A aluna Jéssica Ramos, 13, diretora de dois curtas e com outros dois em andamento, se empolga com o projeto. “Ele dá liberdade de os alunos criarem, soltarem a imaginação. Mudou bastante minha comunicação, eu sou menos tímida, sou bem mais sociável”, relata.

O professor exibe com orgulho os troféus conquistados, inclusive em premiações do cinema nacional. O segredo para isso, ele conta, é a cobrança positiva sobre os alunos: “A gente é bastante rigoroso com os alunos para que eles sejam rigorosos com o trabalho deles. Temos conseguido lograr êxitos, inclusive em festivais fora da escola”. Zaldo não pensa em parar por aqui. O objetivo agora é escrever um livro e, mesmo próximo da aposentadoria, continuar se dedicando à docência.

Para saber mais

Reconhecimento nacional
O Prêmio Professores do Brasil é uma iniciativa do Ministério da Educação, com o apoio de instituições parceiras. O objetivo é reconhecer, divulgar e premiar o trabalho de professores de escolas públicas que contribuem para a melhoria dos processos de ensino e aprendizagem desenvolvidos nas salas de aula. A primeira edição ocorreu em 2005 e, este ano, chega à 10ª — não houve premiação em 2006 nem em 2016. O DF foi premiado diversas vezes, em diferentes categorias.
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