Como atrair jovens qualificados para a carreira de professor?

Tratamos anteriormente dos principais desafios para estabelecer um quadro de professores de qualidade. Mas como tornar a carreira atraente?




No post anterior, tratamos dos três principais desafios para estabelecer um quadro de professores de qualidade: jovens talentosos, formação rigorosa nos conteúdos que vão ensinar e estágio probatório adequado. Neste post, abordaremos os desafios de estabelecer uma carreira atraente.

Começamos por uma digressão: o Brasil possui cerca de 2,2 milhões de professores de educação básica. Em um sistema eficiente, precisaria de pouco mais de 1 milhão. Se pensarmos que, em média, uma pessoa fica 30 anos no magistério, estamos falando de uma necessidade de 30 mil professores por ano – para os vários níveis de ensino e diferentes disciplinas. Se concentrasse seus melhores talentos em cinco ou seis escolas regionais de grande porte e excepcional qualidade aferida por padrões internacionais, o país poderia facilmente superar esse desafio. Além disso, poderia – para ganhar tempo – estimular e facilitar o ingresso no magistério de pessoas talentosas já formadas.

Uma segunda digressão ajudará a entender a necessidade de “pensar fora da caixa” para avaliar o tamanho do desafio. Na década de 40, quando foi criado o Sistema S, a indústria brasileira ainda estava começando a surgir. Portanto, seria difícil usar a indústria como local para o treinamento em serviço dos aprendizes. O Sistema S inovou: criou um tipo de escola-oficina em que os professores eram mestres (importados de outros países, na época). Os alunos aprendiam a fazer o certo de maneira certa, e, ao entrarem no trabalho, já sabiam como se comportar. Esse poderia ser um modelo para superar a falta de escolas adequadas para promover “estágio probatório”.

Uma terceira digressão também é essencial: a ideia de carreira para toda a vida pode não ser mais adequada para os tempos atuais e futuros. É difícil esperar que uma pessoa vá permanecer 40 anos ou mais lecionando – muito menos no mesmo nível de ensino. Há necessidade de repensar a ideia de carreira. E, em particular, há necessidade de pensar em carreiras transitórias – em que as pessoas atuam alguns anos no magistério e depois iniciam ou se preparam para novas carreiras.

As três digressões acima devem ser parte do cenário apropriado para estabelecer uma política para atrair jovens qualificados para o magistério. Outros detalhes certamente precisarão ser acertados – mas a diversidade de redes estaduais e municipais no Brasil cria espaço para estimular diferentes modelos. Além disso, seria necessário, em um plano de transição de 15 a 20 anos, estabelecer regras para os atuais professores permanecerem ou migrarem para as novas carreiras.

Obviamente não se trata de ideias simples nem baratas. Mas certamente o Brasil poderia reduzir significativamente seus custos com o magistério e ainda mais do que duplicar o salário dos professores se adotasse novos modelos para formar e atrair jovens talentosos para a profissão.

O detalhamento das propostas acima não representa maiores desafios. O desafio é lidar com as ideias que prevalecem sobre o tema no Brasil e com o peso do corporativismo existente. Existem precedentes que sugerem caminhos para lidar com situações como estas. Mas eles exigem um forte compromisso com as evidências, além de lideranças competentes para implementar essas mudanças.

Uma das grandes vantagens, no caso brasileiro, é que ideias como essas poderiam ser implementadas localmente por grandes municípios, estados ou consórcios de estados – evitando-se o risco de um modelo único inventado pelo governo federal.
 Outras Notícias
11/12/2017

Os cursos superiores mais procurados nos próximos anos

11/12/2017

Sisu 2018: inscrições começam no dia 29 de janeiro

08/12/2017

Temer sanciona novas regras do Fies, que terá 3 modalidades em 2018

08/12/2017

Base Nacional Curricular voltará a ser discutida pelos conselheiros no dia 15

07/12/2017

Presidente da República sancionará Lei do Novo Fies nesta quinta (7)

07/12/2017

Sessão que vai deliberar sobre a Base Nacional Curricular começa nesta quinta

06/12/2017

Estudantes do DF serão premiados por desempenho em Olimpíada de Matemática

05/12/2017

Saiba como é a vida em um colégio interno

05/12/2017

Microempreendedores têm prioridade para fazer reparos em colégios públicos

04/12/2017

Alunos da rede pública voltam às aulas em 15 de fevereiro

Horário de funcionamento:
De segunda à sexta das 8:00hs as 12:00hs e das 14:00hs as 18:00hs
Unidade Brasília
(61) 3245-7881